| Resumo: |
Discutir o currículo na Educação de Jovens e Adultos significa que precisamos primeiramente percorrer os caminhos entre pedras e atalhos nos quais a modalidade foi constituída.
A comunicação pretende contribuir para a expansão das fronteiras do conceito de “currículo” dentro da Educação de Jovens e Adultos. Partindo da compreensão do currículo como construção social permeado por uma rede de saberes e poderes (Foucault) procuramos garimpar como se configuram os desenhos curriculares da EJA, nos segmentos I e II, à luz dos discursos que atravessam as falas de um grupo de professores que atuam na modalidade e por fim, evidenciar o que se permitiu entender por currículo no cotidiano escolar da EJA, seus movimentos, tensões e limites. (Silva, Moreira, Oliveira). Desta forma, as redes discursivas dos professores articulam-se com as contribuições de estudiosos do percurso sócio-histórico da modalidade (Di Pierro, Haddad, Paiva) e no conceito de “experiência” de Larrosa. Pensar a travessia do currículo-Verdade para o currículo-Experiência da EJA implica abandonarmos a lógica cientificista, sequencial, linear e disciplinarista que busca a homogeneidade dos saberes e dos sujeitos jovens e adultos. Desse modo, esses sujeitos são entendidos como “vazios” ao chegarem à escola e devem ser “preenchidos pelos tais conhecimentos Verdadeiros passíveis de acumulação".
Logo, para efetuar a travessia do Currículo-Verdade para o Currículo-Experiência na Educação de Jovens e Adultos é necessário percorrer caminhos e veredas ainda não desbravados, viagem sem rumo para uma experiência que não se impõe imperativa, muito menos linear ou sequencial, mas que se constitui e re(cria) sentidos na interação com o outro. |