Dados do resumo 
Título:
REPRESENTAçõES DISCURSIVAS DE VITIMA E OFENSOR EM PROGRAMAS DE JUSTIçA RESTAURATIVA
Autor(es): ANA BEATRIZ FERREIRA DIAS
Resumo:
A criminalidade e a violência são duas das questões que mais têm preocupado e mobilizado grande parte do mundo contemporâneo. Diante desse quadro social, observamos uma proliferação, nos últimos vinte anos, de diversos programas de justiça restaurativa, como uma forma alternativa de lidar com os vários tipos de conflitos. A justiça restaurativa, além de ser uma forma não violenta de lidar com os conflitos, é um novo modelo de justiça (embora não vise substituir o modelo em vigor) que tem como foco as relações sociais prejudicadas por uma infração e as necessidades dos participantes, e não na definição de culpados e punições. Os participantes dos processos restaurativos, diferentemente do sistema convencional de justiça (o retributivo), não estão centrados no ofensor, mas incluem também a vítima, familiares e amigos desses dois envolvidos principais. Em Porto Alegre (RS), as práticas restaurativas vêm sendo testadas de forma sistemática desde 2005 nas políticas públicas de atendimento a criança e o adolescente, através da instância da 3ª Vara do Juizado da Criança e do Adolescente (3ª VJRIJ de Porto Alegre). Tendo como base a experiência dessa capital, a presente pesquisa, em andamento, inserida nos área dos Estudos Linguísticos tem como objetivo principal descrever, analisar e interpretar as imagens construídas pela vítima e pelo ofensor nos seus discursos (ethos discursivo) sobre os seus papéis sociais, como fenômenos linguísticos significativos na busca da compreensão mútua entre eles. Para tanto, tomaremos como corpus os discursos enunciados durante um Círculo Restaurativo, que consiste em um encontro formal entre ofensor, vítima, comunidade e coordenador na busca de pacificar o conflito decorrente de um ato de infracional. Os discursos do Círculo Restaurativo que analisaremos integram as atividades do Projeto Justiça Para o Século 21, responsável por implantar práticas restaurativas também no âmbito da 3ª VJRIJ de Porto Alegre.