| Resumo: |
A Educação de Jovens e Adultos, neste país, é resposta a uma demanda de mais de 14 milhões de analfabetos, de 31 milhões de analfabetos funcionais e de jovens e adultos maiores de 15 anos sem o ensino fundamental completo. Cresce entre a população jovem e adulta excluída do sistema escolar regular a consciência do direito à educação, porém isso ainda não é garantia de que seja cumprida a Lei. É preciso identificar quem são os sujeitos que foram excluídos do sistema regular de ensino e excluídos também da sociedade, pois o analfabeto é incessantemente oprimido em tarefas corriqueiras do dia-a-dia. Conhecendo esses sujeitos ficará mais fácil assegurar a eles políticas públicas voltadas à educação de adultos que atendam a demanda e lhes possibilitem o acesso à cultura letrada e, neste processo, lhes devolva a dignidade e direito de cidadãos. A maioria das pessoas analfabetas não teve acesso à escola ou foi excluída dela, o que faz de sua história de fracasso um motivo relevante para não retomar seu percurso educativo. Cabe à EJA repensar o papel para mobilizar esses sujeitos e trazê-los de volta à escolarização, tendo o cuidado de não repetir modelos de educação infantilizados. A perspectiva de formar leitores e escritores autônomos vai muito além do que tem sido observado em muitas práticas de alfabetização. O mundo contemporâneo exige o leitor de diversos códigos, capaz de interpretar e lidar com tecnologias, campo em que sujeitos jovens e adultos são competentes. Por isso a educação popular há de assegurar aos jovens e adultos que conhecimentos diversos lhes sejam transmitidos, não só a decodificação do código linguístico, mas também saberes da cidadania, da tecnologia e de tudo o que se torna indispensável no bom desenvolvimento social dos indivíduos. |